Na hora de financiar um imóvel em Chapecó, a escolha entre o sistema SAC e a Tabela Price muda o valor das parcelas e o total de juros que você paga ao banco. Entenda como cada modelo funciona, para quem cada um faz sentido e como o banco decide qual oferecer.
Quem fecha um financiamento imobiliário precisa decidir, junto com o banco, qual sistema de amortização vai reger as parcelas: o SAC (Sistema de Amortização Constante) ou a Tabela Price (também chamada de Sistema Francês de Amortização). Essa decisão não muda o valor do imóvel nem o saldo que você toma emprestado, mas altera o tamanho das parcelas ao longo do contrato e o total de juros que sai do seu bolso até a quitação. Em poucas palavras: no SAC a amortização é constante, as parcelas começam mais altas e vão diminuindo; na Price as parcelas são fixas, começam menores, porém o total de juros tende a ser maior.
Este guia explica o que é cada sistema, mostra a diferença na evolução das parcelas, traz um exemplo ilustrativo e ajuda você a entender qual escolher conforme o seu perfil. Os números citados aqui servem apenas para demonstrar o conceito e não representam oferta, taxa ou condição real de nenhuma instituição.
O que é o sistema SAC
O SAC (Sistema de Amortização Constante) é o modelo em que a parte da parcela destinada a abater o saldo devedor, chamada de amortização, é sempre igual do começo ao fim do contrato. Se você financia um valor e divide o principal pelo número de meses, encontra uma amortização fixa que se repete em todas as prestações.
O que varia é a parte dos juros. Como os juros incidem sobre o saldo devedor, e esse saldo cai mês a mês graças à amortização constante, o valor cobrado de juros também cai. Por isso, a parcela total (amortização mais juros) começa mais alta e vai diminuindo ao longo do tempo. A primeira prestação é a mais pesada do contrato; a última é a mais leve.
Insight: no SAC, você reduz o saldo devedor mais rápido nos primeiros anos. Isso é especialmente relevante para quem pretende quitar ou portar o financiamento antes do prazo, porque o valor que ainda resta a pagar diminui em ritmo acelerado.
Características práticas do SAC
- Amortização fixa: a mesma fatia do principal é abatida todo mês.
- Parcelas decrescentes: começam altas e ficam menores com o passar dos anos.
- Juros menores no total: como o saldo cai mais rápido, o montante de juros acumulado tende a ser inferior ao da Price.
- Primeira parcela mais exigente: exige maior capacidade de pagamento no início, o que pesa na hora da aprovação de crédito.
O que é a Tabela Price
A Tabela Price, ou Sistema Francês de Amortização, funciona de maneira oposta na lógica da parcela. Aqui o objetivo é manter a prestação fixa do primeiro ao último mês (em contratos com taxa pré-fixada e sem correção). Para que a parcela não mude, a composição interna entre juros e amortização vai se invertendo ao longo do tempo.
No começo, a maior parte da parcela é juros e uma fatia pequena amortiza o saldo. Com o passar dos meses, a parcela de juros encolhe e a amortização cresce, mantendo o total constante. O resultado é uma parcela inicial menor do que a do SAC para o mesmo valor financiado, o que facilita o enquadramento na renda. Em contrapartida, como o saldo devedor cai mais devagar no início, o total de juros pago tende a ser maior.
Insight: a previsibilidade é o grande trunfo da Price. Saber exatamente quanto vai sair da conta todo mês, por anos, ajuda no planejamento doméstico de quem tem orçamento apertado ou renda estável e sem folga para oscilações.
Características práticas da Price
- Parcela fixa: o mesmo valor nominal se repete (descontada eventual correção do contrato).
- Início mais leve: a primeira parcela é menor que a do SAC, facilitando a entrada no financiamento.
- Composição que se inverte: muito juro e pouca amortização no começo, o contrário no fim.
- Total de juros maior: por amortizar devagar no início, o custo total dos juros costuma ser superior.
Diferença na evolução das parcelas
A forma mais clara de entender SAC e Price é observar o comportamento da parcela ao longo dos anos. No SAC, imagine uma linha que parte de um ponto alto e desce de forma constante até o fim. Na Price, imagine uma linha praticamente reta e horizontal, com a mesma altura do início ao fim.
Essa diferença gera um cruzamento importante: nos primeiros anos, a parcela do SAC é maior que a da Price. Em algum momento do contrato, as duas se igualam, e a partir dali a parcela do SAC passa a ser menor que a da Price. Quem fica no financiamento até o fim sente o SAC ficar cada vez mais leve, enquanto a Price mantém o mesmo peso até a última prestação.
| Aspecto | SAC | Tabela Price |
|---|---|---|
| Amortização | Constante (fixa todo mês) | Crescente ao longo do tempo |
| Parte de juros na parcela | Decrescente | Decrescente |
| Valor da parcela | Começa alta e diminui | Fixa do início ao fim |
| Primeira parcela | Mais alta | Mais baixa |
| Última parcela | Mais baixa | Igual à primeira |
| Total de juros | Tende a ser menor | Tende a ser maior |
| Queda do saldo devedor | Mais rápida no início | Mais lenta no início |
Insight: se o seu plano é segurar o imóvel por muito tempo e você aguenta a parcela inicial maior, o SAC vai "premiando" você ano após ano com prestações cada vez menores. Se o seu foco é caber no orçamento agora, a Price entrega estabilidade desde o primeiro mês.
Impacto no total de juros
O ponto que mais pesa no bolso a longo prazo é o total de juros. Os juros sempre incidem sobre o saldo devedor, ou seja, sobre o quanto você ainda deve ao banco. Quanto mais rápido esse saldo cai, menos juros são gerados ao longo do contrato.
No SAC, a amortização constante derruba o saldo de forma mais agressiva nos primeiros anos, então a base sobre a qual os juros são calculados encolhe depressa. Na Price, a amortização pequena do início faz o saldo cair devagar, mantendo uma base maior gerando juros por mais tempo. Por isso, mantendo prazo e taxa equivalentes, o SAC costuma resultar em menos juros somados até a quitação.
Vale uma ressalva: essa comparação considera condições equivalentes de prazo e taxa. Na prática, cada banco define sua política, e fatores como amortizações extraordinárias, uso do FGTS e portabilidade podem mudar bastante o resultado final. Antecipar parcelas, por exemplo, tende a beneficiar mais ainda quem está no SAC, porque reduz o saldo que já vinha caindo rápido.
Por que antecipar parcelas faz diferença
- Reduz o saldo devedor: cada pagamento extra abate diretamente o principal, diminuindo a base de cálculo dos juros futuros.
- Encurta prazo ou alivia parcela: você pode optar por reduzir o número de meses ou diminuir o valor das próximas prestações.
- Potencializa o SAC: como o saldo já cai rápido, a antecipação acelera ainda mais a economia de juros.
- Permite uso do FGTS: em muitos contratos é possível usar o saldo do fundo para amortizar, respeitando as regras vigentes.
Exemplo ilustrativo de comparação
Para visualizar o conceito, veja um exemplo puramente didático, com números redondos escolhidos só para ilustrar o comportamento das parcelas. Não se trata de oferta, taxa praticada ou simulação de qualquer banco. Os valores reais dependem da taxa contratada, do prazo, dos seguros obrigatórios e da política de cada instituição.
Imagine, apenas como exemplo, um valor financiado de 300 mil reais em 360 meses, com uma taxa hipotética fixa. Observe como o desenho das parcelas se comporta em cada sistema:
| Momento do contrato (exemplo) | Parcela no SAC (ilustrativo) | Parcela na Price (ilustrativo) |
|---|---|---|
| Primeira parcela | Mais alta (ex.: em torno de R$ 2.800) | Mais baixa (ex.: em torno de R$ 2.200) |
| Metade do contrato | Intermediária (ex.: em torno de R$ 1.900) | Mesma do início (ex.: R$ 2.200) |
| Última parcela | Mais baixa (ex.: em torno de R$ 850) | Mesma do início (ex.: R$ 2.200) |
| Total de juros somado | Tende a ser menor | Tende a ser maior |
Repare no padrão, que é o que realmente importa: no SAC, a parcela começa salgada e termina bem leve; na Price, ela é constante do primeiro ao último mês. Os números são fictícios e servem só para mostrar a tendência, jamais como promessa de valor.
Insight: ao simular o seu financiamento, não olhe apenas para a primeira parcela. Peça ao banco o quadro completo, com a evolução das prestações e o custo efetivo total (CET), para comparar os dois sistemas com base no contrato inteiro e não só na largada.
Qual escolher conforme o seu perfil
Não existe sistema universalmente melhor. A escolha certa depende da sua capacidade de pagamento atual, dos seus planos com o imóvel e da sua tolerância a parcelas maiores no início. O SAC costuma ser indicado para quem suporta a parcela inicial mais alta e quer pagar menos juros no total. A Price atende melhor quem prioriza uma parcela inicial menor e totalmente previsível.
O SAC tende a fazer sentido quando
- Você tem folga no orçamento para arcar com prestações maiores nos primeiros anos.
- Seu objetivo é pagar menos juros ao longo de todo o financiamento.
- Você pretende fazer amortizações extras e reduzir o saldo rapidamente.
- Espera que a parcela vá ficando mais leve à medida que outros compromissos surgem.
A Price tende a fazer sentido quando
- Você precisa de uma parcela inicial menor para caber no comprometimento de renda.
- Valoriza a previsibilidade de pagar o mesmo valor todo mês.
- Tem renda estável, sem muita folga, e quer evitar prestações altas logo de início.
- Prefere planejar o orçamento doméstico com um número fixo por longos anos.
| Perfil do comprador | Sistema mais indicado | Motivo principal |
|---|---|---|
| Orçamento com boa folga | SAC | Suporta parcela inicial alta e economiza em juros |
| Foco em pagar menos juros | SAC | Saldo devedor cai mais rápido |
| Renda apertada no início | Price | Parcela inicial menor facilita o enquadramento |
| Quer previsibilidade total | Price | Parcela fixa do começo ao fim |
| Planeja amortizar adiantado | SAC | Antecipação rende ainda mais economia |
Insight: uma estratégia comum é escolher o SAC quando a renda permite, mesmo que a parcela inicial assuste um pouco, justamente porque ela tende a se tornar a mais leve do contrato com o tempo. Mas isso só vale se o valor inicial não comprometer demais o orçamento, o que poderia atrapalhar inclusive a aprovação do crédito.
Como o banco define o sistema
Um detalhe que muitos compradores descobrem só na hora de assinar: nem sempre a escolha é totalmente livre. Cada banco define quais sistemas oferece para cada linha de crédito. Algumas instituições disponibilizam SAC e Price para o mesmo produto e deixam o cliente escolher; outras trabalham predominantemente com um deles em determinadas modalidades.
Além disso, o sistema escolhido influencia a análise de capacidade de pagamento. Como o SAC tem parcela inicial mais alta, ele exige uma renda comprovada maior para o mesmo valor financiado. Já a Price, com parcela inicial menor, pode permitir enquadrar um financiamento que não caberia no SAC. Por isso, às vezes a definição acaba sendo orientada pela renda do comprador e pelo limite de comprometimento que o banco aceita.
O que pesa na decisão do banco e do cliente
- Linha de crédito: a modalidade do financiamento pode já vir com um sistema padrão.
- Renda comprovada: define quanto de parcela inicial você consegue suportar.
- Comprometimento de renda: o banco limita o quanto da sua renda pode ir para a prestação.
- Política da instituição: cada banco tem suas regras sobre quais sistemas oferecer.
- Objetivo do cliente: economizar juros ou ter parcela menor agora.
Por isso, antes de fechar, vale simular nos dois sistemas em mais de um banco. Compare a primeira parcela, a evolução das prestações e o custo efetivo total. Assim você decide com base em números do seu próprio contrato, e não em regras genéricas. Se quiser entender quanto de renda o financiamento exige, vale conferir os conteúdos complementares logo abaixo.
Perguntas frequentes
SAC ou Price: qual paga menos juros no total?
Em condições equivalentes de prazo e taxa, o SAC tende a resultar em menos juros somados até a quitação, porque a amortização constante reduz o saldo devedor mais rápido. Como os juros incidem sobre esse saldo, quanto mais cedo ele cai, menor o custo acumulado.
Por que a parcela do SAC começa mais cara?
Porque a amortização é fixa e, no início, o saldo devedor ainda é alto, gerando uma parcela de juros grande. A soma da amortização constante com esses juros elevados torna a primeira prestação a mais pesada do contrato, que vai diminuindo a cada mês.
A parcela da Price nunca muda?
Em contratos pré-fixados sem correção, a parcela da Price permanece a mesma do primeiro ao último mês. O que muda é a composição interna: começa com muito juro e pouca amortização e termina ao contrário. Quando há índice de correção no contrato, o valor pode sofrer reajuste.
Posso escolher livremente entre SAC e Price?
Depende do banco e da linha de crédito. Algumas instituições oferecem os dois sistemas para a mesma modalidade e deixam você escolher; outras trabalham predominantemente com um deles. Além disso, sua renda comprovada pode limitar a opção pelo SAC, que exige parcela inicial maior.
Qual sistema é melhor para quem tem renda apertada?
Para quem precisa de parcela inicial menor e mais previsível, a Price costuma ser mais indicada, porque facilita o enquadramento no comprometimento de renda. Já quem tem folga no orçamento e quer economizar em juros tende a se beneficiar mais do SAC.
Antecipar parcelas vale mais a pena no SAC ou na Price?
Amortizar antecipadamente reduz o saldo devedor em qualquer sistema, mas o efeito costuma ser mais expressivo no SAC, onde o saldo já cai rápido. Em ambos os casos, você pode optar por reduzir o prazo ou diminuir o valor das próximas prestações, conforme as regras do contrato.
Os valores mostrados nos exemplos são reais?
Não. Os números deste artigo são apenas ilustrativos, usados para demonstrar o comportamento das parcelas em cada sistema. Eles não representam oferta, taxa ou condição de qualquer banco. Os valores reais dependem da taxa contratada, do prazo, dos seguros e da política de cada instituição.
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